quinta-feira, 26 de maio de 2011

Texto sobre servidão voluntária


Na perspectiva de Etienne La Boétie, a natureza não colocou ninguém na servidão, mas sim o homem se acostumou a ser submetido a um tirano que através de algumas formas de dominação fizeram com que os homens ficassem sujeitos a isso. “Todas as coisas que têm sentimento, sentem o mal da sujeição e procuram a liberdade”. Isso explica porque os animais, quando lhe impomos a servidão, esses, a partir daí, somente vivem em busca da liberdade. Eles diferem do homem nesse aspecto principalmente pelo fato do homem aderir uma servidão voluntária, ou seja, o homem perde parcialmente a sua liberdade.
Toda servidão voluntária começa com a eleição de um líder que é escolhido pelas suas qualidades que primeiramente causam boa impressão às pessoas que o elegeram e não vem como esse pode mudar a sua conduta quando lhe é dado um posto superior aos demais. Uma vez que este líder adquire o poder, o mesmo se torna tirano. A partir disso, um líder pode conquistar este poder através da força de suas armas e pela hereditariedade, onde todos os seus sucessores chegarão a este posto com formas severas de dominação, sem ter esperado para se transformar em tal.
A servidão voluntária se baseia na condição de que o homem tem a oportunidade de sair desta situação a qualquer momento, entretanto, permanece nesta porque é covarde e efeminado (fraco) para se rebelar contra o tirano que o subordina. O povo não percebe que se não existisse o tirano não seria necessário pedir à ele, pois antes de ter tudo no poder de um só era tudo de todos. Ou seja, o povo é o fornecedor da mão de obra, do exército e cargos políticos em geral, assim a base do tirano é o povo, a força dele vem dos seus súditos. Portanto se todos pararem de servir voluntariamente a base do poder do tirano se esfacelaria e ele perderia toda a sua força.
A liberdade é de inicio natural e instintiva, entretanto, através das descendências ela vai sumindo e a servidão voluntária toma o seu lugar, isso porque as pessoas se acostumam a servir já que nasceram sob essa condição. Porém, ao pesquisar a história de antepassados, aqueles nascidos na servidão descobrem aquilo que não conheciam: o que é liberdade. Sentem, afinal, em sua essência a vontade de ser livre.
Para Rousseau o homem era um ser solitário e não vi a necessidade de se relacionar com outros indivíduos, ou seja, toda a sua interação era somente com a natureza: homem natural.Para ele a diferente entre home natural e animal é a liberdade, a perfeição e a razão. Este era chamado de estado natural, que consiste em ter a liberdade de “transgredir as leis mesmo em seu prejuízo”, e usufruir da natureza da forma que ele quiser. A partir do momento em que o um home chamou de seu alguma propriedade ( propriedade privada) foi fundada a sociedade civil e a desigualdade do homem.
Essa desigualdade gerou a guerra entre os homens, assim o estado civil surgiu como um forma de apaziguar e preservar estes homens. Este estado civil é comandado por uma vontade geral, na qual o soberano tem poder sobre os seus súditos através da vontade geral (que não pode ser a vontade da maioria
– votação). A partir deste contrato que o homem perde a liberdade e ganha em troca “a liberdade civil e a propriedade de tudo que possui”.
Dentro de um Estado civil é a liberdade é nada mais do respeitar a lei, que significa a vontade geral, ou seja, o povo que delibera as suas próprias leis.E aquele que tentar ir contra será reprimido.
Quando a vontade geral coincide com a vontade individual, o individuo tem a liberdade plena, ou seja, o homem só pode conquistar a liberdade no momento que ele obedece a lei.
“O povo livre obedece, mas não serve”, ai está o que difere Rousseau de Etienne . Mas para os dois a educação é o caminho para conseguir a liberdade, porém a educação de Rousseau é adaptar o ritmo pessoal para obter essa consciência de libertação e para Etienne é educar para que o individuo consiga enxergar a liberdade e assim contestar o soberano quanto a sua condição servil.


A teoria hobbesiana é tratada em várias passagens do discurso. Primeiramente retrata a sociedade antes do estabelecimento do contrato social, o qual fará a ascensão do soberano, tratado por Etienne como tirano. Antes de firmar o contrato, os homens eram vistos em estado de natureza, o qual se caracteriza por ser um estado insuportável e que a manutenção da vida não era assegurada. Isso porque se um ataque próximo era eminente, devido a busca da honra e glória, gerava o estado de terror.
Para Hobbes, a liberdade no estado de natureza não existia, pois vê a liberdade como o direito dos súditos de manter e proteger sua vida. Defende a criação de Estado armado para conseguir impor respeito e colocar fim à guerra (que é natural do ser humano). Esse Estado é instaurado a partir do contrato social, onde surge o príncipe soberano que é inquestionável e tenha como principal função proteger os seus servos.
O príncipe do contrato social é o príncipe elegido pelo povo, e Etienne encaixa esse príncipe como uma das maneiras de ser tirano, assim começa a discutir os porquês da população se submeter a servidão como também o faz Hobbes. Hobbes encontra um destes porquês no medo que o povo tem, seja ele da espada ou pelo medo da quebra do contrato e não serem mais protegidos.
Esse príncipe de Hobbes não faz parte do contrato, mas criado por ele, sendo então legitimado pela servidão social.Podemos fazer então uma ligação com a servidão voluntária de Etienne porque os homens em ambos os casos servem por livre e espontânea vontade.E para que ele ( tirano ) caia do poder só é necessário a anulação dessa servidão nos dois casos, porém para Hobbes também é abdicada a convergência de poder para a manutenção da vida, pondo em risco a liberdade hobbesiana.

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